Entrevista com Jan Val Ellam

Atualizado: 10 de Set de 2019

A Revista Acontece Mais em sua edição de agosto, entrevistou em setembro Jan Val Ellam, o autor fala sobre a espiritualidade e o papel do ser humano no universo. Leia a entrevista em sua integra abaixo.

Autor Jan Val Ellam

Dentre sua produção literária e as incontáveis horas de palestras no Youtube, como você resume a mensagem central de seu trabalho?


A necessitada, por muito tempo esquecida, do resgate de um contexto perdido associado ao progresso dos diversos ramos da ciência, fazem emergir uma nova “visão de realidade” que contempla o lento avanço do pensamento humano ao longo das eras. Afinal, somos racionais: seres que antes de crer cega e fanaticamente em algo, deveríamos procurar, estudar, pesquisar e compreender, como tantos luminares do progresso humano têm advertido.

Os livros que produzo tratam dessa nova cosmovisão, questionando as “verdades eternas” que os seres humanos colecionaram na visão de mundo que construíram ao longo da sua penosa evolução. Acostumamo-nos a tomar como real e natural verdadeiros absurdos que em nada contribuíram para o progresso planetário. Perdidos em guerras religiosas e proselitismos de todos os tipos, estacionamos de tal modo que os valores vigentes e infantis do passado foram entronizados como “sagrados” e em nome desses, verdadeiras barbáries foram e são até hoje cometidas. A questão que se impõe para quem pensa é: quantas dessas “certezas do passado” ainda existirão daqui a alguns poucos séculos ou mesmo décadas?

Há uma nova cosmovisão emergente que marcará, dentre em breve, um divisor de águas entre o que se pensava antes e depois que a Revelação Cósmica fincar os seus alicerces, colaborando na evolução da capacidade humana de melhor compreender o nível de conhecimento e de esclarecimento que supõe possuir sobre as coisas e a realidade que a envolve.

Os livros que procuro produzir representam o marco inicial desse processo que convidará a todos, mais cedo ou mais tarde, a sair da zona de conforto da fé fácil e estéril, para o esforço da compreensão esclarecida.


Os estudos desenvolvidos em seus institutos apresentam uma convergência entre Ciência, Filosofia e Espiritualidade. Qual a importância desta convergência?


Compomos uma humanidade, tida como racional, cujas gerações jamais puderam ter qualquer padrão de educação científica, filosófica, ambiental, sendo sempre as elites a parcela da população mundial que consegue ter acesso a essas questões. Ainda assim, nem mesmo estas costumam fugir do minimalismo no campo do conhecimento associado a um diploma universitário ou outro título qualquer. Todas as parcelas, porém, tomam-se como sendo profundamente educadas no campo da religiosidade, mas se perdem nos ritos fáceis de troca de favores com Deus, transformam Jesus em escravo dos seus pedidos e do comércio do pedágio e aqui a espiritualidade pessoal inexiste ou é confundida com a fé fácil e simplória.

Os livros que escrevo criticam de modo contundente como o esforço heroico de Jesus, de Sidarta Gautama (o Buda), dentre outros, cujos legados filosóficos e espirituais são efetivamente ímpares em termos de beleza e de nobreza moral, tornaram-se religiões fáceis e simplórias quando jamais foram essas as propostas dos seus formuladores.

Devido a esse quadro infantilizado, infelizmente constante no modo como as principais religiões mundiais são praticadas, dificilmente penso não será possível tão cedo uma convergência honrosa e produtiva entre essas três áreas do conhecimento que tanto importam à dignidade humana.

Como registrei em um dos livros que até o momento produzi, cujo título é “Reintegração Cósmica”, quando em breve, nós, os terráqueos, sairmos desse isolamento que envolve o nosso mundo há tanto tempo, frente à retomada do processo do intercâmbio cósmico que o próprio avanço da ciência já vislumbra, as futuras gerações terrestres poderão e mesmo deverão edificar uma vida planetária dignificada e alicerçada no bom uso que a racionalidade e a sabedoria humanas puderem construir associados aos postulados progressistas dessas três áreas.


Diante da nova realidade que suas obras literárias apontam, a humanidade atual está madura o suficiente para encontrar o caminho do autoconhecimento?


Sóren Kieerkgard, filósofo dinamarquês, afirmou, com certo grau de ironia, que o ser humano costuma se equivocar de duas maneiras: uma, acreditando no que não é verdade, e de outra, deixando de acreditar no que realmente é real e verdadeiro.

A raça humana foi condicionada a levar a sua vida adiante por meio da fé, da crença, e assim facilmente tem construído valores tomados como verdade absolutas, o que a impede de buscar o autoconhecimento como também alargar a percepção sobre outros tantos painéis importantes da vida.

O infantilismo espiritual marca a conduta humana o que leva as pessoas a não encontrarem disposição psíquica para lidar com os aspectos mais profundos da existência. A busca do autoconhecimento é uma disciplina que se situa nesse contexto. As elites religiosas não têm interesse em que seus fieis, por eles mesmos, evoluam no sentido vertical da espiritualização adulta. Infelizmente, preferem manter todos os fieis como prisioneiros dos seus circuitos.


Qual a importância para nós, seres humanos, do entendimento de que na verdade constituímos uma única família planetária? Este conceito, que ultrapassa questões de raças, credos e nacionalidades, o que significa exatamente?


A consciência sobre a função da cidadania planetária que deveria povoar o psiquismo de cada pessoa esclarecida deste mundo é talvez o único “norte filosófico” a ser perseguido pelas gerações do futuro como forma de salvar a nossa casa planetária e dignificar a vida humana.

Desde que lá, na mais antiga tradição das raízes religiosas, existe um pretenso deus que, devido ao hábito de escolher povos — a saber, os hebreus, depois os arianos, voltou para os judeus e após certo tempo elegeu os árabes — terminou por semear na cultura de todos uma intolerância e um sentimento de exclusividade absolutamente inaceitáveis. Hoje, as questões históricas por trás da gênese do judaísmo, do cristianismo, do islamismo e de seus desdobramentos, respondem quase que pela totalidade das guerras regionais ocorridas ao longo da história. Tudo isso porque o fundamentalismo exacerbado dos que se acham eleitos por deus, o nacionalismo que tão somente camufla as faces da insensatez, da corrupção e da estupidez clinicamente assim definida dos líderes mundiais das últimas décadas, promovem conflitos além de não conseguirem superar os naturais confrontos e disputas da geopolítica mundial.

Num contexto como este, dificilmente a noção de cidadania planetária poderá emergir, apesar da luta de uns poucos entre os quais me incluo. No final de cada um dos 38 livros até hoje lançados encontra-se o “Manifesto Orbum da Cidadania Planetária”, como forma de convidar o leitor à reflexão sobre o tema.

O analfabetismo político, religioso, filosófico e ambiental estão prestes a provocar um choque de realidade talvez como forma de despertar o ser humano para um redimensionamento na maneira como ele vive na atualidade. O homo consumus, o homo religiosus, o homo nervosus, o homo corruptus — pois são estas as faces das quais se travestem o rosto humano na sua atual expressão “cara de pau” para justificar as suas mentiras e hipocrisias de cada momento, tem que ceder lugar a um tipo de ser humano sensato, decente, honesto frente ao seu código de princípios e de propósitos perante a vida.

O ativismo da cidadania planetária deveria ser o primeiro passo nesse sentido!


Qual o lugar do homem no Universo?


Seguramente não somos esses pecadores apontados pelo credo judaico-cristão, por termos sido criados e destinados para sabe-se lá o quê, e o nosso pecado reside no fato da nossa mãe Eva não ter aceitado tal coisa e resolveu dar um curso diferente do anteriormente pretendido. Como ela foi influenciada pela serpente, tida como o diabo, todos os que nasceram após isso são considerados “filhos do pecado” e do diabo, precisando que elites religiosas resolvam esse problema pelos pecadores. Ora, convenhamos!

Se alguém desejava promover uma “lavagem cerebral” nos nossos desavisados ancestrais, implementando o temor a Deus como o motor que levaria todos a aceitar a dominação psíquica por parte das religiões como forma de sair do grupo dos filhos do diabo para o dos filhos de deus, efetivamente o fez com bastante eficácia. Somos todos hoje filhos da estupidez esquecidos que reside na própria capacidade humana o ato de amor, de sorrir, de perdoar, de sonhar, de distinguir o bem e a ternura, de eleger a elegância moral e a civilidade como forma de interação entre os irmãos e irmãs da raça humana, enfim, de estabelecer o próprio código de conduta filosófica como lei maior de sociabilidade. Mas o que fizeram as religiões? O contrário disso! Criaram pecadores angustiados, tementes, aterrorizados por que podem ser castigados por deus a qualquer hora, obrigaram as pessoas a ter uma fé simplória, pouco refletida, sem questionamentos, transformaram deus e Jesus em comerciantes baratos do toma lá dá cá, viciaram todos os seus fieis em se tornarem pedintes profissionais e crentes em cujas lentes cabe todo tipo de crendice barata. O pior: acostumaram as pessoas a transferirem para pretensas autoridades religiosas, responsabilidades que lhes são próprias! Até onde isso vai se perpetuar?

As pessoas que vivem seriamente as suas religiões sofrem bastante com esse estado de coisas porque o choque de realidade que as gerações futuras irão inevitavelmente promover nas religiões poderá ser trágico se esse minimalismo não for superado por alguma sensatez, como muito tem se esforçado, por exemplo, o inigualável papa Francisco na sua luta pela renovação no âmbito do catolicismo. Mas, quem o apoia?

O ser humano talvez seja o artífice de algo muito maior do que hoje podemos imaginar e sobre esse aspecto tenho me esforçado bastante na abordagem dessa questão nos livros que publiquei.

Se somos capazes de nos comportarmos de modo monstruoso, mas também de agir ancorados em uma conduta superior e marcar os elétrons da nossa casa universal com as melhores e mais sofisticadas informações, talvez aqui resida a delicada e importantíssima destinação da humanidade, ainda desconhecida até mesmo pelas religiões e pelos padrões científicos atuais, que seria a de contribuir decisivamente para a emergência de uma mente universal, como apontam alguns dos mais vanguardistas no campo da ciência.

O livro “A Rebelião dos Elétrons e o Código da Vida do Criador” recentemente lançado, aborda de modo inusitado essa questão.

Concluindo, não penso que seja a presente geração de humanos a perceber a sua destinação como membros de uma comunidade sideral que se prepara para executar a sinfonia universal capaz de levar o universo em que vivemos — e alhures — a um rumo seguro e pacificado. Pertencerá às gerações futuras a construção dessa urgente percepção quanto à função dos terráqueos no concerto da vida universal. Mas por enquanto, apequenado como o ser humano se encontra, sequer ele sabe que essa música existe.

Precisamos evoluir da mentalidade religiosa infantilizada na qual milenarmente nos encontramos estacionados para uma outra espiritualizada e esclarecida. Mãos à obra!


* Entrevista Revista Acontece Mais (Edição: Ano 4 nº13)

Jornalista: Maria Isabel Monteiro Ramos

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